SOBRE A SOLA SCRIPTURA SER A FONTE PARA NOVAS HERESIAS



"A Sola Scriptura é maior fonte de heresias", dizem os católicos, "e são o motivo do surgimento de milhares e milhares de seitas que brigam e discordam umas das outras".

Primeiro, ja nos primeiros seculos a igreja cristã era acusada de ser dividida em milhares de seitas que brigavam entre si. Isso é visto em "Contra Celso" de Origenes, onde o pagão Celso faz essa acusação e, Origenes sequer a nega. Muito pelo contrario, ainda reforça que essas divisões já vinham desde o tempo dos apóstolos.

"Os cristãos no início eram poucos em número e tinham as mesmas opiniões; mas quando cresceram para ser uma grande multidão, eles foram divididos e separados, cada um desejando ter seu próprio partido individual: pois esse era seu objetivo desde o início... estando assim separados por seus números, eles se refutam, ainda tendo, por assim dizer, um nome em comum, se de fato ainda o retêm. E esta é a única coisa que eles ainda têm vergonha de abandonar, enquanto outras questões são determinadas de maneiras diferentes pelas várias seitas. Também declara ele que todos eram animados pelo mesmo pensamento. Nem mesmo enxerga que desde a origem houve desacordo entre os crentes sobre a interpretação dos livros considerados divinos. Pelo menos, enquanto os apóstolos ainda pregavam e as testemunhas oculares de Jesus ensinavam o que tinham aprendido dele, surgiu uma discussão importante entre os judeus crentes com relação aos gentios que chegavam ao evangelho: devia-se porventura fazê-los observar os costumes judaicos ou tirar-lhes a obrigação relativa aos alimentos puros e impuros, que não devia abranger aqueles que tinham deixado os costumes antepassados na gentilidade e criam em Jesus (cf. At 10,14; 11,8; 15,28). Além disso, nas cartas de Paulo, contemporâneo dos que haviam visto Jesus, encontramos alusões a certas discussões sobre a questão se a ressurreição tinha acontecido, e se “o dia do Senhor” estava próximo ou distante (cf. 1Cor 15,12s; 2Tm 2,18; 1Ts 5,2). Há também esta passagem: “Evita o palavreado vão e ímpio e as contradições de uma falsa ciência, pois alguns, professando-a, se desviaram da fé” (1Tm 6,20-21; 1,19); ele mostra que desde a origem houve interpretações diferentes, quando os cristãos, nas palavras de Celso, ainda não eram numerosos. (Contra Celso 3:10-12)

Nem Origenes nem outros pais que responderam a mesma acusação negaram que a igreja fosse dividida, muito pelo contrário: em todos os peridos da igreja primitiva se vê situações de calamitosa divisão.

Roma jamais foi citada como critério de unidade. A unica declaração que chega mais perto disso é de Crisóstomo, que fala da situação desastrosa que sua igreja estava na epoca, com divisões generalziadas em todas as partes:

"A confusão se espalhou em todas as direções, e o clero em toda parte revolta-se contra os bispos. Houve cisma entre bispo e bispo, povo e povo e terá ainda mais: todo lugar está sofrendo as angústias da calamidade e da subversão de todo o mundo civilizado. (Carta de Crisóstomo para o Bispo de Roma, Carta 1:4) E a causa dessa confusão toda era Roma: "e agora também estes males, tendo se originado nesta grande cidade [Roma] como de uma fonte" Ou seja, a única vez que se vê um pai da igreja atribuindo "uniformidade" nas igrejas a partir de Roma, é pra dizer que os cismas e a confusão estava partindo de lá e contaminando todo o corpo. Outro ponto: nenhum patrístico via as Escrituras como fonte de heresias, como dizem os católicos.

Nenhum patristico proibia o Livre Exame por crer que da interpretação errada poderiam advir heresias. Muito pelo contrário: para os patristicos, as Escrituras eram tão claras e sem ambiguidade, que ninguém poderia chegar a um entendimento diferente do que estava escrito. Assim apenas a imaginação daqueles que queriam encontrar na Escritura uma confirmação para suas próprias teorias e expectativas é que poderia torcer o texto, como diz Pedro, para sua própria condenação. Creio que toda heresia é na verdade um rompimento, uma idéia estranha, um corpo estranho às Escrituras Sagradas, uma desvio doutrinário que rompe com a HARMONIA das Escrituras. A Escritura é dotada de uma harmonia tal que ela não pode se contradizer. Ela é inerrante e infalível. A própria natureza da Escritura EXIGE, CONCLAMA, OBRIGA que se a interprete observando sua coerência. Uma interpretação de um texto não pode conflitar com outros textos. Como diz Agostinho sabiamente: "E se nesses escritos eu esteja confuso por qualquer coisa que me parece oposta à verdade, não hesitaria em supor que o manuscrito seja defeituoso, ou o tradutor não pegou o significado do que foi dito, ou eu mesmo tenho falhado em entender isso". (Carta 82 a Jerônimo) Assim, primeiro, a heresia é por princípio uma idéia conflitante com a harmonia das Escrituras. Uma estranheza ao texto bíblico. E é por essa estranheza, é por esse rompimento da Harmonia das Escrituras QUE SE DETECTA UMA HERESIA. Não haviam dogmas ou declarações "infalíveis" quando os primeiros pais compreenderam que o que os gnósticos pregavam era Heresia. Pelo conhecimento e intimidade que tinham com as Escrituras eles dectectaram imediatamente que os ensinos dos gnósticos e outras heresias posteriores não eram ensinos apostólicos, e portanto, distórções, desvios, enisnos heréticos! Isso encontra força na declaração de João Crisóstomo que disse que "não ler as Escrituras é não somente ocasião para o surgimento de heresias como também uma traição a nossa fé" (Quatro Discursos, Discurso 3). E por fim, nehuma heresia pode ser concluída da leitura das Escrituras, já que elas são claras e sem ambiguidade. Toda heresia é antes uma IDEIA PRÉ-CONCEBIDA que o herege tenta fundamentar nas Escrituras, EM VÃO, ja que sua própria natureza harmônica COSPE PARA FORA qualquer idéia estranha, como um organismo reagindo a um corpo estranho. Pensem num lago de água cristalina que é agitado quando se joga uma pedra. Não há como um herege afirmar que uma idéia herética a partir das Escrituras sem que o próprio texto bíblico "reaja", refutando-o logo sem seguida com outro texto. Daí os hereticos são apanhados em suas próprias contradições. E qual é a reação deles? "Quando são vencidos pelos argumentos tirados das Escrituras retorcem a acusação contra as próprias Escrituras, dizendo que é texto corrompido, que não tem autoridade, que se serve de expressões equívocas e que não podem encontrar a verdade nele os que desconhecem a Tradição. "

(Irineu de Lyon, Contra as Heresias, Livro III, 2:1) Como se vê, a reação dos romanistas é a mesma dos hereges confrontados por Irineu: quando refutaods pelas Escrituras, se voltam contra as mesmas. Nâo pode ser interpretada sem o magistério ou tradição, procruam defeitos no texto para tentar descredibiliza-lo, e muitos procuram auxilio até mesmo nos sites ateus para tentar provar que as Escrituras contém erros e contradições - como se a possibilidade da Escritura estiver errada validasse o Catolicismo....

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