Respostas as objeções de um católico sobre o meu texto anterior acerca das Escrituras como "fonte de heresias" do meu texto anterior. 





Vou responder ponto a ponto:

1 - “Contudo, a visão católica sobre o primado de Roma não se baseia em uma inexistência de divisões”

Mentira. É exatamente isso de que os católicos vivem acusando o protestantismo, de que existem milhares de divisões pq não tem um magistério infalível que garanta a unidade!!!  E que no catolicismo não existe divisão pq  a existência de um “cabeça visível” com o qual todos estão de acordo garante a unidade eclesial!!!

Assim dizem cânones do concilio Vaticano I e II, que é absolutamente necessário que todos estejam sujeitos ao Bispo de Roma, seja quando ele fala ex-catedra ou seja quando não fala Ex-Catedra, para que a unidade da igreja católica romana seja preservada!!! E quem rejeita o primado romano está excomungado e fora da comunhão!! Como que a visão do primado de roma não se baseia na inexistência de divisão sendo que a razão dessa doutrina é justamente evitar as divisões? A Unidade Católica Romana se baseia na concordância e sujeição a Roma e seu Bispo!

Assim diz o catecismo no paragrafo 882:

“O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, E FUNDAMENTO DA UNIDADE que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis» (408). Com efeito, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» “

 

2 - “Desde o início, Roma era vista como um ponto de referência importante para as demais igrejas, não porque fosse isenta de problemas, mas porque nela estava a cadeira de São Pedro.

R: Falso. Outras igrejas além de Roma reclamavam sucessão apostólica petrina, como Antioquia. No máximo Roma era UM ponto de referência, não O ponto de referência, não o ÚNICO ponto de referência. TODA SÉ APOSTÓLICA (e podemos elencar além de Roma, Jerusalem, Antioquia, Efeso, Tessalonica, Cesareia, Filipos, Colossos, Atenas, Samaria, Corinto, Creta, Chipre, Pergamo, Laodiceia, Tiatira, Filadelfia... enfim, todas as igrejas citadas no NT) era um ponto de referência.

Além disso, os pais entendiam o primado petrino de uma forma totalmente diferente da ICAR: TODO BISPO ERA UM SUCESSOR DE PEDRO, no sentido de ser o primaz em sua igreja. Isso é bem claro nas cartas de Cipriano e nos textos de Agostinho. O Bispo Romano poderia ser reconhecidamente um sucessor de Pedro assim como também o era o Bispo de Antioquia e o Bispo de Alexandria, mas isso não o colocava acima dos outros bispos, como diz Cipriano “não há entre nós Bispo de Bispos”.

3 - “Isso é evidenciado em escritos patrísticos como a carta de Santo Inácio de Antioquia (cerca de 110 d.C.), que reconhece a primazia de Roma”

Não há nada na carta de Inacio de Antioquia que se possa concluir uma crença na primazia romana. Não só ele nunca fala para nenhuma igreja para a qual escreveu que se sujeitassem ao bispo romano (e o tema da sujeição ao bispo era muito importante para Inacio) como também ele não da qualquer indicio dessa crença ao escrever para Roma. Aliás, além de não mencionar em parte alguma o bispo romano ou de dizer aos membros daquela igreja para estar de acordo com ele (o que ele faz em todas as cartas) ele pede para que aquela igreja ore por sua igreja natal, Antioquia, que por causa de sua prisão estava sem bispo.... ora, se Roma fosse a primaz, não era para ele pedir que providenciassem outro Bispo? Não é o Papa que nomeia bispos?

 

4 - “ e na Carta aos Romanos de Clemente (cerca de 96 d.C.), em que a Igreja de Roma intervém em uma disputa na Igreja de Corinto”.

Nâo há nenhuma intervenção na carta de Clemente aos Corintios no sentido de impor uma ordem, mas uma carta de exortação, que por si só não prova autoridade que vcs alegam. Inacio faz exortações as igrejas para as quais escreve, nem por isso se entende que ele era chefe daquelas igrejas. Policarpo faz exortações a igreja de Filipos, nem por isso se entende que ele fosse chefe ou superior aquela igreja. E vamos ver esse espirito de exortação entre igrejas, entre irmãos e entre os próprios pais da igreja.

Além do mais, Clemente jamais fala em sua própria autoridade. Ele fala em nome da igreja de Roma. É uma carta de igreja para igreja, uma carta de exortação fraternal, não de um sumo pontífice sobre seus subordinados.

O Pastor de Hermas esclarece uma questão muito importante: não só Roma nessa época não tinha um líder MAS VÁRIOS LIDERES, como Clemente era um desses lideres que tinha por função escrever cartas a outras igrejas. Ele tinha basicamente uma função de secretário ou de comunicação institucional de uma igreja que era diversa.

5 - “Sobre as divisões citadas por Orígenes e Celso, elas não são incomuns em momentos de crescimento e consolidação doutrinária de uma nova fé. No entanto, o fato de essas divisões existirem não nega o papel unificador que a Igreja, especialmente a Sé de Roma”

R: Nega, claro que nega. Em todo debate com católicos, quando falamos das divisões que existem no catolicismo a resposta é sempre essa: nós temos um papa e estamos em comunhão com ele, por isso podem haver divergências entre nós, o que nos une é essa sujeição comum.

Isso não se vê nas controvérsias e discussões da igreja primitiva. Ninguém invoca Roma como fator de unidade. Ninguém invoca Roma para solucionar uma controvérsia. Ninguém se baseia na autoridade de Roma para afirmar a unidade da Igreja.

A unidade da Igreja é sempre afirmada pela crença num conjunto de crenças em comum, o Credo, que é um resumo das doutrinas contidas nas Escrituras.

 

6 - “Os Padres da Igreja claramente afirmam a necessidade de uma interpretação autoritativa. Santo Agostinho, por exemplo, reconhecia que alguns textos das Escrituras são difíceis de entender e exigem explicação (ver sua obra Sobre a Doutrina Cristã)”. “Em sua famosa carta a São Jerônimo, Agostinho indica que, onde há dificuldade, é melhor procurar a ajuda de mestres e guias da fé, em vez de confiar apenas na interpretação privada”.

R: Nem a existência de passagens difíceis e obscuras nem a opção de procurar por um professor são motivos para rejeitar o livre exame (que aliás, era incentivado por Agostinho). Nem o livre-exame impede o uso de fontes externas, como comentários, dicionários ou mesmo o auxilio de um professor. Aliás, por esse motivo que Agositnho escreveu “Da Doutrina Cristã”, que é um manual de hermenêutica e exegese para que as pessoas comuns pudessem ler e interpretar a Escritura corretamente.

João Crisostomo, em seu “Quatro Discursos”, uma das maiores odes ao livre exame das Escrituras que eu já vi, instrui: “Mas (pergunta-se) as partes que contêm os sinais, maravilhas e histórias também são claras e simples para todos? Isso é uma pretensão, uma desculpa e um mero manto de ociosidade. Você não entende o conteúdo do livro? Mas como você pode entender, enquanto não está disposto a olhar com cuidado? Pegue o livro em suas mãos. Leia toda a história; e, retendo em sua mente as partes fáceis, examine frequentemente as partes duvidosas e obscuras; e se você não for capaz, por leitura frequente, de entender o que é dito, vá a alguém mais sábio; vá a um professor; converse com ele sobre as coisas ditas. Mostre grande ânsia de aprender: então, quando Deus vir que você está usando tal diligência, Ele não desconsiderará sua perseverança e cuidado; mas se nenhum ser humano puder lhe ensinar o que você busca saber, Ele mesmo revelará o todo.” (Quatro Discursos, Discurso 3)

 

7 - “Além disso, Santo Irineu (que você mesmo citou) afirma que a tradição apostólica passada pelos bispos é essencial para a correta interpretação das Escrituras (ver Contra as Heresias, III, 3:1)”.

R: Para Irineu, a Tradição Apostólica é o próprio resumo do que já está escrito nas Escrituras:

“Não pequena discussão havia ocorrido entre os irmãos de Corinto, e a Igreja de Roma enviou uma poderosa carta aos coríntios, exortando-os à paz, renovando a sua fé e declarando a tradição que tinha recentemente recebido dos apóstolos, proclamando um Deus onipotente, Criador do céu e da terra, o Criador do homem, que trouxe o dilúvio e chamou Abraão, que falou com Moisés, que estabeleceu a lei, que enviou os profetas, e que preparou o fogo para o diabo e seus anjos. A partir deste documento, todo aquele que lê-lo pode saber que Ele, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, foi pregado pelas Igrejas, e também pode compreender a tradição da Igreja" (Contra as Heresias, Livro III, 3:3)

 

8 - “Você menciona que nenhum Pai da Igreja via as Escrituras como uma fonte de heresia. Concordo que as Escrituras, em sua essência, não são heréticas, mas o ponto central da teologia católica é que interpretações erradas das Escrituras podem levar a heresias. Isso é exatamente o que aconteceu ao longo da história, como evidenciado nas controvérsias arianas, pelagianas e outras. Arius, por exemplo, interpretou erradamente passagens sobre a natureza de Cristo, levando à heresia ariana”.

R: Há duas formas de “interpretar” um texto. A primeira, a correta, é a EXEGESE, onde o interprete tira do texto o significado que já está no texto, aquele que o autor pretendida transmitir.

A outra forma é a EISEGESE, essa é a que o interprete procura usar o texto para validar seu próprio ponto de vista, uma intenção já pré-concebida. Nesse caso ele não procura o que o autor quis dizer mas fazer o texto dizer o que ele quer dizer.

Enquanto na Exegese (Ex, tirar) se tira o significado do próprio texo, na Eisegese (Ei, colocar, inseri) se tenta colocar significado no texto.

Os hereges mencionados não faziam Exegese, faziam EISEGESE. E a Eisegese não funciona em um texto coerente quando o coloca em contradição, por isso toda heresia pode ser refutada pela Escritura. Satanás tentou usar a Escritura em UMA das três tentações e Jesus o refutou com a Escritura em todas as três. A Heresia só pode ser refutada pela exposição correta da Escritura, pela verdade, usando-se a EXEGESE.

9 - “A crítica contra a necessidade do Magistério e da Tradição parece ignorar a relação íntima que os Padres da Igreja viam entre Escritura e Tradição. São Basílio e Santo Atanásio, por exemplo, defendiam que tanto a Tradição quanto a Escritura são fundamentais para se entender corretamente a fé cristã”.

R: Mas o conceito de Tradição dos pais sequer é o mesmo conceito dos católicos romanos. Aliás, os próprios pais divergiam entre si sobre as tradições. Alguns a descrevem como certas práticas litúrgicas (como no caso de Basilio) enquanto outros (Irineu entre eles) como um resumo de pontos doutrinários tirados da própria Escritura. Jà para os católicos romanos, a tradição é um ente não identificado que invoacam para atribuir origem a toda doutrina que não pode ser encontrada nas Escrituras – o que de novo os coloca em contradição com muitos pais para quem as tradições verdadeiramente apostólicas tem que estar necessariamente na Escritura e devem ser provadas por elas (Cipriano é um deles).

 

10 - “O papel do Magistério é justamente garantir que a interpretação das Escrituras esteja em consonância com a fé apostólica recebida. Isso é algo que os primeiros concílios ecumênicos (Niceia, Constantinopla, Éfeso, Calcedônia) tentaram garantir, estabelecendo normas doutrinárias que afastassem as interpretações erradas”.

R: Isso é outra contradição do catolicismo romano com a igreja primitiva. Assim diz o Catecismo no paragrafo 85:  

“O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo, isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma”.

O Magistério Vivo, na figura do Papa dos bispos em comunhão com ele, é que interpreta a Escritura. Isso não existia na igreja primitiva. Vicente sequer menciona um “Papa em comunhão com bispos”. Ele usa critérios de antiguidade (acreditado sempre), consenso (acreditado por todos) e abrangência (acreditado em todos os lugares) para definir qual a forma correta de encontrar a veracidade nas Escrituras, ou seja, tinha que se recorrer aos decretos e concílios mais antigos e as opiniões dos maiores mestres da igreja, e tudo isso deveria ter sido acatado em todas as partes!

Só isso já derruba por terra a maior parte das doutrinas católicas e exclui o catolicismo romano da comunhão com a igreja primitiva, afinal, não existia um Papa ou Bispo Universal e nem os bispos da igreja deveriam estar em comunhão com ele...

11 - “Os gnósticos, por exemplo, afirmavam que possuíam um conhecimento secreto que reinterpretava as Escrituras de acordo com suas próprias filosofias. A resposta da Igreja sempre foi mostrar que a Tradição apostólica e o Magistério dos bispos, unidos à Sé de Roma, eram os guardiões da fé verdadeira”.

R: Na verdade, os gnósticos eram refutados pelas próprias Escrituras pelo motivo que descrevi: suas idéias eram incompatíveis com a harmonia bíblica. Por isso eles se voltavam contra as Escrituras acusando-as de adulteração ou erro. Depois desse fracasso eles apelavam justamente para o argumento da sucessão apostólica: diziam que eram guardiões de uma “tradição apostólica” secreta (como vc bem citou) que só eles tinham e que era uma chave para interpretar a Biblia – ao que Irineu respondia que o que os apóstolos deixaram na Biblia não difere em nada do que ensinaram de Viva Voz, ou seja, nada de Tradição como fonte de doutrinas que não estão na Biblia.  

E não, Irineu não fala de “magistério dos bispos unidos a Sé Romana”   como guardiões da fé verdadeira – não existia isso de bispos sujeitos ao bispo de Roma naquela época (ele mesmo mostra que não estava sujeito quando se opôs com severidade a Vitor, bispo de Roma). Ele fala que as sucessões de bispos nas igrejas eram uma salvaguarda da doutrina dos apóstolos que FOI TRANSMITIDA E CHEGOU ATÉ NÓS PRESERVADA NAS ESCRITURAS!

E as sucessões de bispos DAS SÉS APOSTÓLICAS (não apenas de Roma).

 

12  - “O argumento que você apresenta carece de um entendimento pleno da relação entre Escritura, Tradição e Magistério no cristianismo primitivo e contemporâneo. A Igreja Católica sustenta que, para preservar a unidade e a ortodoxia, é necessário haver uma autoridade confiável, fundada na sucessão apostólica e no primado de Pedro. Roma desempenhou esse papel desde os primeiros séculos, e continua a ser o ponto de referência para a unidade da fé cristã”.

R: Pode ser verdade para o catolicismo romano medieval e contemporâneo MAS NÃO PARA O CRISTIANISMO PRIMITIVO. Quando o Bispo Romano, Estevão, alegou que batizava hereges de acordo com a Tradição Apostólica, Cipriano e outros bispos não aceitaram isso como deveriam aceitar caso fossem católicos romanos. Cipriano escreveu o seguinte:

“… e não manifestamente aquele que, esquecido da unidade, adota as mentiras e os contágios de uma lavagem profana. Que nada seja inovado, diz ele, nada se mantenha, exceto o que foi transmitido. DE ONDE VEM ESSA TRADIÇÃO? SE VEM DA AUTORIDADE DO SENHOR E DO EVANGELHO, OU VEM DOS MANDAMENTOS E DAS EPÍSTOLAS DOS APÓSTOLOS? […] Também o Senhor, enviando Seus apóstolos, ordena que as nações sejam batizadas e ensinadas a observar todas as coisas que Ele ordenou. Se, portanto, ESTÁ PRESCRITO NO EVANGELHO, OU CONTIDO NAS EPÍSTOLAS OU ATOS DOS APÓSTOLOS, que aqueles que vêm de qualquer heresia não devem ser batizados, mas apenas as mãos impostas sobre eles para o arrependimento, DEIXE ESTA TRADIÇÃO DIVINA E SAGRADA SER OBSERVADA.” (Carta 73)

Não só Cipriano rejeita a “autoridade” do Bispo Romano, não somente ele demonstra que ele e outros bispos não estavam em sujeição a Roma, como ele ainda manda um “onde isso tá na Biblia”?

Para Cipriano, toda tradição apostólica tem que ser rastreada até as Sagradas Escrituras, senão devem ser rejeitadas.

Alem disso, não há um registro sequer na igreja antiga do Bispo Romano servindo de arbitro para interpretar qualquer questão das Escrituras.

Roma fez um concilio em 381 onde formalizava um canon bíblico e poucos anos depois Hipona faz outro concilio, foramalizando um canon diferente (no canon de Roma não consta o livro de Baruque). Mas Roma falou e a causa não havia acabado? Pois nos anos seguintes outros concílios serão reunidos formalizando outros cânones bíblicos (Sinodo de Cartago de 397, Sinodo de Efeso em 438, Sinodo de Nicéia em III em 787...). Se os Bispos em comunhão com Roma são o magistério infalível, então porque os católicos até hoje citam o Canon do Concilio de Hipona e não o Canon do Concilio de Roma, que é anterior? Não era para o Concilio de Roma ser o mais importante e autoritativo, aliás, com uma lista de livros “assinada” pelo próprio Bispo Romano, Damaso (O canon do concilio romano de 381 é até hoje chamado “lista de Damaso”)? Isso não seria um caso de Ex-Cathedra, uma decisão de um bispo romano em um concilio?

 Até os concílios ecumênicos provam que não havia essa coisa de “comunhão dos bispos com Roma”, já que nenhum concilio ecumênico foi convocado e nem presidido por um bispo romano. Aliás, há casos em que igrejas, em controvérsia com Roma, invocavam a autoridade desses concílios ecumênicos para minar as pretensões, como podemos constatar nessa Carta de Aurelio a Celestino, Bispo de Roma, anexada ao canon 138 do Concilio de Cartago de 419). Como se vê nessa carta, os concílios (tanto Ecumênico como Regional estão acima dos bispos individuais, inclusive o de Roma:

 

“ … Presumindo, portanto, nossas devidas considerações a você, NÓS SINCERAMENTE O CONJURAMOS, QUE PARA O FUTURO VOCÊ NÃO ADMITA PRONTAMENTE A UMA AUDIÊNCIA PESSOAS VINDAS DAQUI, NEM ESCOLHA RECEBER EM SUA COMUNHÃO AQUELES QUE FORAM EXCOMUNGADOS POR NÓS, PORQUE VOCÊ, VENERÁVEL SENHOR, PERCEBERÁ PRONTAMENTE QUE ISSO FOI PRESCRITO ATÉ MESMO PELO CONCÍLIO DE NICÉIA. Pois embora isso pareça ser proibido em relação ao clero inferior ou aos leigos, QUANTO MAIS ISSO SERIA OBSERVADO NO CASO DOS BISPOS, PARA QUE AQUELES QUE FORAM SUSPENSOS DA COMUNHÃO EM SUA PRÓPRIA PROVÍNCIA NÃO PARECESSEM SER RESTAURADOS À COMUNHÃO APRESSADAMENTE OU INADEQUADAMENTE POR VOSSA SANTIDADE. QUE VOSSA SANTIDADE REJEITE, COMO É DIGNO DE VOSSA SANTIDADE, QUE OS PRESBÍTEROS E O CLERO INFERIOR SE ABRIGUEM SEM PRINCÍPIOS COM VOCÊ, TANTO PORQUE POR NENHUMA ORDENANÇA DOS PADRES A IGREJA DA ÁFRICA FOI PRIVADA DESSA AUTORIDADE, QUANTO PORQUE OS DECRETOS DE NICÉIA COMPROMETERAM MAIS CLARAMENTE NÃO APENAS O CLERO DE CATEGORIA INFERIOR, MAS OS PRÓPRIOS BISPOS COM SEUS PRÓPRIOS METROPOLITAS. POIS ELES ORDENARAM COM GRANDE SABEDORIA E JUSTIÇA QUE TODOS OS ASSUNTOS DEVERIAM SER ENCERRADOS NOS LUGARES ONDE SURGISSEM; E NÃO PENSAVA QUE A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO FALTARIA A QUALQUER PROVÍNCIA, PARA QUE OS BISPOS DE CRISTO DISCERNISSEM SABIAMENTE E MANTIVESSEM FIRMEMENTE O DIREITO: ESPECIALMENTE PORQUE TODO AQUELE QUE SE CONSIDERA INJUSTIÇADO POR QUALQUER JULGAMENTO PODE APELAR AO CONSELHO DE SUA PROVÍNCIA, OU MESMO A UM CONCÍLIO GERAL [ISTO É, DA ÁFRICA], A MENOS QUE SE IMAGINE QUE DEUS PODE INSPIRAR JUSTIÇA A UM ÚNICO INDIVÍDUO E RECUSÁ-LA A UMA MULTIDÃO INUMERÁVEL DE BISPOS REUNIDOS EM CONCÍLIO. E COMO PODEREMOS CONFIAR EM UMA SENTENÇA PASSADA ALÉM-MAR, JÁ QUE NÃO SERÁ POSSÍVEL ENVIAR PARA LÁ AS TESTEMUNHAS NECESSÁRIAS, SEJA POR FRAQUEZA DE SEXO, OU IDADE AVANÇADA, OU QUALQUER OUTRO IMPEDIMENTO? Pois que Vossa Santidade envie alguém de sua parte, NÃO PODEMOS ENCONTRAR ORDENADO POR NENHUM CONCÍLIO DE PADRES. Porque com relação ao que nos enviou pelo mesmo nosso irmão bispo Faustinus, como estando contido no Concílio de Nicéia, não podemos encontrar nada do tipo nas cópias mais autênticas daquele concílio, que recebemos do santo Cirilo, nosso irmão, Bispo da Igreja Alexandrina, e do venerável Ático, o Prelado de Constantinopla, e que enviamos anteriormente por Inocêncio, o presbítero, e Marcelo, o subdiácono, por meio de quem os recebemos, a Bonifácio, o Bispo, seu predecessor de venerável memória. ALÉM DISSO, QUEM QUER QUE DESEJE QUE VOCÊ DELEGUE QUALQUER UM DE SEUS CLÉRIGOS PARA EXECUTAR SUAS ORDENS, NÃO CUMPRA, PARA QUE NÃO PAREÇA QUE ESTAMOS INTRODUZINDO O ORGULHO DO DOMÍNIO SECULAR NA IGREJA DE CRISTO, que exibe a todos que desejam ver Deus a luz da simplicidade e o dia da humildade. Pois agora que o miserável Apiarius foi removido da Igreja de Cristo por seus crimes horríveis, nos sentimos confiantes em relação ao nosso irmão Faustino, que através da retidão e moderação de sua Santidade, a África, sem violar a caridade fraterna, não terá de suportá-lo por mais tempo. Senhor e irmão, que nosso Senhor preserve por muito tempo sua Santidade para orar por nós.” ( Concílio de Cartago 419 – Sob Aurélio – Cânon 138 – Carta dirigida ao Bispo de Roma Celestino I) 

E note o que ele diz aqui: “... a menos que se imagine que Deus pode inspirar justiça a um único indivíduo e recusa-la a uma multidão inumerável de bispos reunidos em concilio...”

E Agostinho, tratando das controvérsias pelagianas, falando das igrejas que estavam sujeitas a sé-romana dentro de sua diocese, diz que se alguém se sentisse injustiçado pelo julgamento na sé romana (liderada pelo Bispo), poderia RECORRER AO CONCILIO PLENÁRIO. Ou seja, o Concilio Plenário (não é nem o Ecumenico) tinha mais autoridade que Roma e se julgassem que a decisão de Roma estava errada, o próprio Bispo Romano teria que acatar...

Diante disso, não tem como sustentar que a Igreja Primitiva era a mesma Igreja Católica Romana.

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