O martírio de Ivan Moiseyev (1952-1972)
Ivan Moiseyev: carinhosamente chamado de "Vanya" pela família e amigos, o jovem batista, natural da Ucrania, deu corajoso e fiel testemunho de sua fé em Cristo diante das duras provações que sofreu quando cumpria o serviço militar obrigatório no Exército Vermelho Soviético, onde foi perseguido pelas autoridades por causa de sua fé.
Ivan Moiseyev foi um jovem militar recém convertido ao cristianismo na Moldávia em pleno regime soviético. Durante dois anos sofreu maus tratos, humilhações e zombarias por parte de seus colegas militares e superiores por conta de sua fé. Seus sofrimentos cotidianos foram relatados nas cartas que enviou a sua família.
Tudo começou quando os oficiais descobriram que o jovem Ivan era Batista e que tinha a prática de orar diariamente - habito que não deixou de observar um dia sequer. Enviado ao comissário político de sua estação militar, órgão responsável pela doutrinação política dos soldados, Ivan foi informado de que tais praticas eram proibidas no exército vermelho, que a religião era um veneno que deveria ser extirpado e que o ateísmo cientifico deveria ser abraçado e sustentado pelos membros do exército. Insistir em qualquer sentimento religioso era um ato de traição. Por resistir, em argumentos e postura, Ivan logo foi obrigado a realizar os serviços mais degradantes, a ser constantemente interrogado pelos Comissários políticos. E quanto mais resistia, mais cruel era o tratamento que recebia, ficando preso em uma solitária por dias sem comer e depois sendo enviado para uma unidade de tortura nos Montes Urais, onde era lançado em uma sala de refrigeração (o pastor Richard Wurmbrand relata em Torturado por Amor a Cristo que também sofreu esse tipo tortura, na Romênia), entre outras torturas.
Apesar da perseguição, Ivan Moiseyev cumpria todas as suas obrigações com diligência e orava constantemente por seus algozes - fato demonstrado em suas cartas a família.
Apesar dos abusos sofridos, o jovem permaneceu firme em sua fé, influenciando e convertendo muitos de seus companheiros de caserna, inclusive com operações de milagres e maravilhas que Deus fez por meio dele. Certa vez, por exemplo, ele foi obrigado a ficar de pé no pátio central do quartel, usando apenas uma leve farda de verão, durante uma madrugada em pleno inverno russo, onde a temperatura chegou abaixo de zero. Os oficiais esperavam que ele se retratasse em poucos minutos, mas ele permaneceu horas no patio, sentindo pouco frio, enquanto que os oficiais que foram aborda-lo congelavam dentro de seus grossos casacos. O oficial que foi recolhe-lo, se converteu por causa disso.
Depois de cumprir a ordem de ficar por horas no pátio do quartel, usando roupas leves em pleno inverno russo, o oficial que o recolhe pede para que lhe conte mais sobre Deus.
Embora as cartas de Ivan descrevam o sofrimento por que passava, também revelam uma fé convicta e inabalável, bem como um amor profundo pelas almas de seus algozes e pelo Senhor por quem sofria. Por fim, Ivan foi levado pela a KGB, e só retornou a sua casa em um caixão lacrado. Ao abrirem o caixão, seus familiares, amigos e irmãos em Cristo constataram as marcas das terríveis torturas que havia sofrido.
Ao final de 2 anos no serviço militar, por não ceder as pressões de seus superiores no exército vermelho, Ivan é enviado à KGB, que o tortura até a morte.
A morte de Ivan não passou despercebida: os relatos de suas provações correram clandestinamente pela igreja "subterrânea" da URSS e foram enviados para o Ocidente, juntamente com as fotos e laudos do estado do corpo de Ivan. Imediatamente, as igrejas do mundo inteiro se manifestaram, exigindo das autoridades soviéticas explicações. O próprio presidente americano, Richard Nixon, pressionou o governo soviético para que instaurasse uma investigação sobre o caso.
Ao abrir o caixão lacrado, familiares, amigos e irmãos em Cristos constatarão as marcas do sofrimento de Ivan Moiseyev.
Abaixo, uma reprodução da carta da "Igreja Subterrânea" da URSS (nome pelo qual é conhecido todo o grupo dos cristãos que praticam sua fé clandestinamente em países onde há perseguição) e da família de Ivan que foi lida no Conselho das Igrejas Batistas nos EUA:
"Queridos irmãos e irmãs: com profundo pesar informamos que no dia 16 de Julho (de 1972) na cidade de Kerech, no segundo ano de serviço militar, o jovem Ivan Moissev foi torturado até a morte pelo testemunho do Deus Vivo.
Esse jovem simples, sincero e que amava ao Senhor, foi visto se retirando a parte para orar a Deus em um lugar isolado. Por causa disso, ele foi repetidamente exposto diante do regimento para escárnio público.
Desde seus primeiros dias ele foi zombado publicamente. Os oficiais fizeram dele objeto de atenção, na esperança de fazer Vanya (apelido carinhoso dado pela família) renegar sua fé em Deus. Esses dois anos no exército foram anos de tortura e terríveis abusos para nosso querido irmão. Mas o jovem evangelista permaneceu inflexível e suportou as provações com bravura.
Em resposta, o Senhor o agraciou, enviando para conforto e encorajamento e para o testemunho de Cristo, anjos e sinais de maravilhas.
Os diretores e agentes da KGB interessados nessa questão, vendo que nada poderia abalar sua fé viva, torturaram até a morte essa testemunha de Deus.
Em seguida, tentaram encobrir o crime, mentindo que a causa da morte foi afogamento em uma operação de treinamento no Mar Negro.
Olhando para a foto que seus pais enviaram, cheio de hematomas e de sofrimentos, eu digo: Não está morto, mas dorme!
Dorme silenciosamente como uma criança, sem mancha na consciência! E não demorará o momento em que nosso irmão e mártir despertará para receber a gloriosa coroa. Sua vida curta, mas santa, como uma brilhante estrela nessa vida noturna, foi um breve sermão, mas que se converterá em um longo discurso após a morte.
Soubemos do martírio do irmão Ivan através de seus pais. Eles disseram que a notícia de sua morte não foi inesperada: ele já lhes falou através de cartas sobre as zombarias e os maus tratos que vinha sofrendo, e contou mais pessoalmente em suas férias, nos oito dias que antecederam a sua morte.
A seguir, apresentamos a mensagem cheia de tristeza de seus pais, as cartas de Ivan, uma carta aberta assinada pelas testemunhas que participaram do funeral, seu testemunho pessoal de suas experiências gravadas em fita.
(Conselho de famílias de prisioneiros da URSS do Conselho de Igrejas Batistas)
"Queridos irmãos e irmãs! Estamos cheios de tristeza por causa de nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso filho, Ivan Moiseyev, nascido em 1952, membro da Igreja Batista de Slobozia,que estava em serviço militar em Kerch, foi martirizado pelo testemunho de Cristo. Espancado, ferido, queimado com um ferro quente. E disseram que se afogou acidentalmente no mar negro (impossível, pois as aguas naquela região tinham uma profundidade de 1,56m e Ivan tinha cerca de 1,80m de altura).
Sua morte violenta foi minuciosamente descrita no relatório da autópsia. Nosso filho foi acrescentado ao numero dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus. Mesmo com tristeza, nos regozijamos em sua luta e com seus sofrimentos. Mais do que tudo, ele amava Jesus, e provou isso. Em sua ultima carta ele repetiu varias vezes: "Se você ama ao mundo, algo ou alguém mais do que Jesus, não está apto para segui-lo...". E ele seguiu, olhando para o Bom Mestre, em quem cria firmemente e por quem sofreu.
Que esta flor viva, que aspergiu a fragrância de sua juventude na Cruz, venha a ser um bom exemplo para toda a Rússia. Jovens de todas as nações! Amem a Cristo, como nosso filho Ivan o amou!
Da mãe, Pai e irmãos de Ivan Moiseyev"
A dor da família e dos irmãos em Cristo só não foi maior que a fé fortalecida pelo testemunho desse mártir.
A história de Ivan é amplamente conhecida entre os crentes russos até os dias de hoje, e foi durante os tempos negros do comunismo uma inspiração para muitos cristãos, assim como as histórias dos inúmeros mártires que padeceram sob a cortina de ferro, por causa do nome de Cristo.
"Ivan", de Myrna Grant, conta a extraordinária história e testemunho do jovem mártir Ivan Moiseyev.
Autor: Fabiano Dias








Amo esse livro! Eu o li há um ano e até hoje sua história vive passando pela minha mente. Nunca esqueço! Fico muito feliz por Deus ter me mostrado a história dele... de alguma forma, me sinto especial por causa disso. Enfim, glória a Deus pela vida do Ivan e por sua resiliência. Nunca me esquecerei...
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