Quando dois "Papas" romanos refutaram o Papado
O título de bispo universal foi energicamente censurado pelos bispos de Roma, Pelágio II e Gregório I, quando o arrogou a si pela primeira vez na igreja João, bispo de Constantinopla, e depois seu sucessor, João Ciríaco. Pelágio II (590 d.C.) declarou que o título universal era uma usurpação ilegal, e provou que nenhum predecessor seu jamais se arrogou tão profano nome. Dizia ele:
“Não façais caso do título universal, que João tão ilegalmente usurpou; nenhum dos patriarcas jamais usou vocábulo tão profano. Podeis calcular, queridíssimos irmãos, quais os resulta dos que daí podem provir, quando entre os mesmos sacerdotes se manifestam tão perversos princípios; porque não está longe de quem se disse: Ele mesmo é rei sobre todos os filhos da soberba". (Pap. Peiag. II. Epis. VIII.)
Com não menor energia se expressou seu sucessor, Gregório I:
“Meu consacerdote João pretende ser chamado bispo universal. Isso obriga-me a exclamar: Oh! tempos! Oh! costumes! Os sacerdotes pretendem para si títulos de vaidade e se gloriam com nomes novos e profanos. Acaso defendo eu nisto minha própria causa? Acaso vingo eu minha própria injúria, ou, melhor a do Onipotente Deus e a de toda a igreja universal? Repilam os cristãos esse nome de blasfêmia que rouba a honra de todos os sacerdotes, a qual um só loucamente arroga para si.” (Pap. Greg. I, Epist. lib. IV; Epist. XX; Opera, tom. II, p. 748. Edit. Bened. 1705.)
E mais adiante continua o mesmo bispo:
“Nenhum de meus predecessores consentiu em usar tão profano título; porque, se, em verdade, um patriarca se chama universal, tira aos demais o nome de patriarcas. Longe, longe de um espírito cristão querer apropriar-se daquilo que pareça diminuir, na menor coisa, a honra de seus irmãos”. (Pap. Greg. I Epist. lib. V; Epist. XXV Opera, tom. II, p. 771, Edit. Bened. 1705.)
Fala ainda o mesmo bispo:
“Que responderás a Cristo, cabeça da igreja universal, no exame do último juízo, tu que pretendes assenhorear-te de todos os seus membros, usando o título de universal. A quem intentas tu imitar com este tão perverso vocábulo senão aquele que, desprezadas as legiões dos anjos socialmente constituídas com ele, pretendeu elevar-se ao cúmulo da singularidade? Consentir numa tal denominação não é outra coisa mais do que perder a fé. (Pap. Greg. I Epist. lib. V; Epist. VIII. Opera, tom. II, p. 742, Edit. Bened. 1705.)
E mais ainda diz o mesmo bispo:
“Em verdade eu digo confiadamente que, qualquer que a si mesmo se chama sacerdote universal, ou deseja assim ser chamado PRECEDE O ANTICRISTO em seu orgulho, porque com soberba se antepõe aos demais”. (Pap. Greg. I Epist. lib. VII; Epist. XXIII. Opera, tom. ü, p. 881, Edit. Bened. 1705).
(Trecho retirado do livro "Inovações do Romanismo", de Carlos H. Collette, Capítulo 1: A Supremacia do Papa)



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