A generosa astúcia do bem-aventurado Frederico Guilherme de Brandemburgo, a perseguição aos protestantes por Luis XIV e as raízes do iluminismo e ateísmo moderno
Huguenotes Franceses assistindo ao massacre nas ruas no dia de São Bartolomeu
“O protestantismo pariu o iluminismo e o ateísmo moderno”. Quem já não ouviu essa expressão milhares de vezes dos círculos romanistas pela internet? Ah, se quem dissesse tal asneira soubesse a verdade...
Henrique de Navarra (1553-1610), rei dos Huguenotes (protestantes calvinistas franceses) e sobrevivente do famigerado Massacre da Noite de São Bartolomeu veio a se tornar rei da França em 1594. Com o fim de colocar um término nas discórdias entre católicos e protestantes no país, o agora Rei Henrique IV aceita se converter ao catolicismo, promulgando 4 anos depois o Edito de Nantes, que declarou total liberdade de culto e cidadania aos protestantes na França, e encerrando por um bom tempo os conflitos religiosos que assolavam o país.
"Henrique IV, rei da França: promulgou o Edito de Nantes, concedendo liberdade e cidadania aos protestantes franceses".
Não cabe aqui julgarmos a atitude apóstata do Rei. O fato é que ele é considerado até hoje um dos melhores reis que a França já teve. O seu reinado foi próspero, com inúmeras medidas e obras voltadas para o bem estar de seus súditos, o que lhe garantiu o apelido carinhoso de “Bom rei Henrique” (le bon roi Henri), sendo celebrado em canções populares como “Vive le roi Henri”. Apesar de tudo isso, não foi suficiente para afastar a amargura dos romanistas fanáticos, que o acusavam de “ainda ser um herege” e indigno da coroa. O bom rei Henrique foi vitima de 12 atentados promovidos por católicos fanáticos, sendo por fim assassinado em 1610, pelo fanático papista François Ravaillac.
O Assassinato do rei Henrique IV pelo romanista fanático François Ravaillac
Após seus 16 bons anos de reinado na França, foi sucedido por seu filho, Luis XIII, que reinou por 33 anos, que por sua vez foi sucedido por Luis XIV, coroado em 1643. Luis XIV, o célebre “Le Roi Soleil” (Rei Sol), se tornou o mais célebre dos monarcas Absolutistas da França, e é conhecido sobretudo por instituir uma série de modismos que viriam se tornar a marca da nobreza francesa... e uma das causas do ressentimento que viria alimentar o furor da Revolução Francesa. Notem isso: só uma das causas.
Luis XIV, o "rei sol" - perseguidor da Igreja
O ponto aqui é que no ano de 1685, o rei Luis XIV iniciaria uma das mais infames ações de seu governo, e talvez, da história: a Revogação do Edito de Nantes através do Edito de Fontainebleau. Ao anular um dos maiores legados de seu avô, “Le bom roi Henri” IV, o “le roi Soleil” declarou o protestantismo ilegal, e oficializou uma das maiores perseguições contra os protestantes na história que terminaria por reduzir a igreja reformada na França a um estado que lembra o da Igreja Primitiva na era das perseguições imperiais.
Luis XIV assina o Edito de Fontainebleau, oficializando assim a perseguição contra a Igreja na França.
O Êxodo provocado por essa infame perseguição terminaria não só matando a França espiritualmente: a ruína econômica, a pobreza generalizada e a lembrança das atrocidades cometidas em nome da religião católica e todas as injustiças praticadas contra os protestantes, preparariam o terreno tanto para o intenso estado de insatisfação e rancor popular como também para a disseminação dos ideias iluministas que culminariam com a Revolução Francesa.
As medidas persecutórias foram graduais, aumentando em escala e violência. Primeiro, o protestantismo foi considerado ilegal: ministros protestantes tiveram o prazo de duas semanas para se converter ao catolicismo ou sair do país; escolas protestantes foram fechadas; o culto foi totalmente proibido – os protestantes não poderiam se reunir nem em casas para fazer orações; os templos foram fechados ou destruídos; os filhos recém-nascidos deveriam ser batizados como católicos e receber educação católica e os demais súditos protestantes que não fossem ministros (pastores e teólogos) estavam proibidos de deixar o país – a pena mínima a tais violações eram as Galés (ou seja, ficar acorrentado no porão de um navio a remo junto com outros remadores por um determinado número de anos). O texto integral do Edito de Fontainebleau pode ser lido aqui.
Oficiais do governo lêem publicamente o famigerado Edito de Fontainebleau
Essas medidas não causaram o efeito esperado, então o rei sol passou para a segunda fase da perseguição: uso da força. Desde 1681, 4 anos antes da revogação do edito de nantes, Luiz XIV havia estabelecido uma política diabólica chamada “Dragonnades”. Essa política visava intimidar famílias protestantes através de uma força policial abusiva, composta sobretudo por elementos criminosos e indisciplinados recrutados intencionalmente com o objetivo de “policiar” vilas, bairros e distritos das cidades francesas habitadas por famílias protestantes. Esses “policiais” cometiam frequentes abusos, roubos e humilhações. Algo semelhante ao que as SS viriam a praticar contra os judeus nos guetos durante a segunda guerra mundial.
As "Dragonnades" ou "Dragonadas" contra famílias protestantes já eram praticadas desde antes da revogação do Edito de Nantes, e se tornaram mais intensas após a oficialização das perseguições.
Essa medida foi experimentada pela primeira vez pelo intendente René de Marillac, em 1681, na província de Poitou, com permissão do Secretário de Estado da Guerra, François-Michel le Tellier, Marquês de Louvois. A princípio, Marillac ordenou que seus “dragões” se dirigissem às casas das famílias protestantes de Poitou.
Família huguenote sendo atormentada pelos "dragões" em uma "Dragonnade".
Os “dragões” começavam a abordagem, entrando nas casas e obrigando, primeiramente que seus “anfitriões” os servissem. Em seguida, os obrigaram a pagar-lhes um determinado valor. E repetiam isso até a família ficar sem dinheiro. Quando acabava o dinheiro, os “Dragões” os forçavam a vender os próprios bens ou vandalizavam a casa, destruindo móveis e utensílios. Nessa abordagem os dragões já deixavam claro seu objetivo: “convencer” as famílias a se converterem ao catolicismo através de abusos morais e coação. Quando o Pai da família não dava mostras de acatar ao desejo desses bandidos, era então espancado e humilhado continuamente, até o ponto da tortura, que então se estendia para os filhos e a mulher e outros membros da família. As mulheres, em especial, sofreram todo tipo de abuso e tortura. Uma vez que atingissem seu objetivo, os Dragões passavam para a casa seguinte.
Geralmente recrutados entre criminosos e arruaceiros, os "dragões" entravam nos lares protestantes e se instalavam ali por dias, submetendo as famílias protestantes a abusos morais, humilhações, vandalismo, agressões, torturas e abusos sexuais.
Às vezes a pessoa “se retratava” e aceitava a conversão logo no estágio inicial da “visita” dos Dragões, que então passavam para a casa seguinte. Mas quando não conseguiam alcançar seu objetivo, permaneciam na mesma casa por dias, atormentando cada vez mais suas vítimas.
Quando os protestantes cediam e aceitavam a conversão, os "Dragões" partiam para o próximo lar onde repetiam o mesmo "procedimento".
Em poucos meses, os padres católicos registraram em Poitou mais de 38.000 “conversões”. O resultado, no entanto, foi catastrófico: milhares de pessoas fugiram para a Holanda ou Inglaterra, e a região de Poitou ficou arruinada. As notícias dos abusos se espalharam e causaram indignação em toda a Europa Protestante. Em 1682, os “Dragões” foram recolhidos e Marillac foi demitido.
Em 1685, com a oficialização das perseguições a Igreja Reformada, a política das “Dragonadas” foi novamente estabelecida. Foucault, intendente do rei Luis na província de Pau, retomou o “programa” iniciado por Marillac em Poitou, “aperfeiçoando” seus metodos. Varias aldeias protestantes da província foram “convertidas” com a chegada dos Dragões. Foucault então foi para Poitou com seus dragões onde os deixou cometer os abusos mais terríveis.
Os abusos dos "dragões" chegava a tal grau de violência que cidadãos eram torturados e mortos dentro de suas próprias casas.
Com a experiência “bem-sucedida” de Foucault, Louvouis enviou os Dragões para outros Superintendentes de outras províncias. O terror espalhado pelas tropas fez com que cerca de três quartos das comunidades Huguenotes de algumas províncias se convertessem ao catolicismo. Por causa dessas ações, os protestantes apelidaram essas tropas de “Dragões Missionários”. O rei ficou tão satisfeito com o resultado que ordenou que suas tropas redobrassem a severidade para com os protestantes.
A campanha de terror das "Dragonnades" logo começa a surtir efeito: milhares de protestantes se "convertem" ao catolicismo, e outras centenas de milhares fogem do país num dos maiores êxodos da história da França.
Em poucos meses, os dragões alcançaram todas as regiões da França, promovendo violência sem medida e aterrorizando a Igreja Reformada Francesa. Templos protestantes foram arrasados e casas de protestantes resistentes à conversão se tornavam “quartéis” onde famílias inteiras eram atormentadas continuamente. O terror espalhado pelos dragões de Luis XIV provocou um verdadeiro êxodo: estima-se que entre 400.000 a 900.000 protestantes abandonaram o país, rumo à Inglaterra, Holanda, Dinamarca, Prussia... e como veremos, isso custaria muito caro ao país.
Os sanguinários "dragões" de Luis XIV se instalavam indefinidamente nas casas dos protestantes mais resistentes à conversão.
Centenas de milhares de Huguenotes, cidadãos econômicamente ativos, fugiram da França, levando consigo todo seu conhecimento, técnica e espírito empreendedor. Em algunas décadas sua falta se faria sentir no país, especialmente na economia.
Um dos motivos mais fortes para se deixar o país era a possibilidade de perder os filhos. Crianças eram arrebatadas de seus pais e entregues a famílias ou orfanatos católicos para serem educadas como católicas.
Num dos maiores exodos da história da França, entre 400.000 a 900.000 protestantes franceses deixaram o país. Inglaterra, Dinamarca, Holanda, Suiça, Alemanha e América do Norte eram os destinos principais.
Huguenotes abandonando suas casas sob o olhar escarnecedor de sues vizinhos católicos.
Oficialmente, a França estava livre de protestantes. Porém, os protestantes que ainda restaram no país – e muitos dos supostos convertidos, passaram a praticar sua religião em segredo, reunindo-se para celebrar o culto protestante nas florestas e campos, que se tornaram verdadeiros lugares de adoração.
Para muitos, especialmente os que cederam às pressões das tropas, tais reuniões eram mais do que necessárias, devido a carga de culpa que carregavam por haver renunciado sua fé. Em diversas partes do país, dezenas e até centenas de pessoas se reuniam na calada da noite para cultuar a Deus e ouvir a Palavra.
"A Igreja do Deserto" - movidos pela necessidade de ouvir a Palavra de Deus, e muitos, por uma consciência pesada por ceder as torturas de seus algozes, os Huguenotes se reuniam secretamente em lugares ermos e distantes, muitas vezes na calada da noite, para cultuar e adorar a Deus.
Sem templos e sob risco de vida, bosques e cavernas se tornaram locais para culto e adoração.
Apesar da intensa perseguição, a "Igreja do Deserto" se manteve forte e constante durante todo o período de provação.
Casamento protestante na "Igreja do Deserto"
O zelo com que guardavam o segredo dessas reuniões era admirável. Era raro os agentes do governo descobrirem, mas quando eram pegos, os homens eram enviados às Galés e as mulheres lançadas as prisões pelo resto de suas vidas. Pastores eram condenados à morte. E as crianças, arrancadas de suas famílias e entregues à famílias católicas. Apesar de tudo isso, o movimento prosseguiu firme. A Igreja Reformada francesa passou a ser conhecida como a “Igreja do Deserto”.
Culto secreto da Igreja do deserto descoberto pelas autoridadades. Se descobertos, os huguenotes sofreriam as duras consequências...
Pastores seriam condenados à morte...
Os homens, condenados às galés...
As mulheres condenadas à prisão pelo resto de suas vidas...
Seus filhos tomados e entregues á famílias ou orfanatos católicos...
“Um Espírito de santificação, de poder... e sobretudo de martírio, ao mesmo tempo que nos ensina a morrer diariamente em nosso interior... nos prepara e nos dispõe a ofertar valorosamente a vida nos suplícios e no cadafalso, se a ele nos chama a divina providência.”
(Antoine Court, pastor huguenote da “Igreja do Deserto”, na França)
Pois bem, a perseguição francesa aos protestantes custou caro ao país: a França perdeu seus elementos mais produtivos. Em pouco tempo, o país entrou num processo de empobrecimento e miséria que iria se agravar pelas próximas décadas, levando uma nobreza cada vez mais extravagante e luxuriosa a taxar cada vez mais uma população cada vez mais empobrecida, para manter seu estilo de vida. A intolerância religiosa e a injustiça promovida contra os protestantes moveria as penas dos filósofos iluministas (exemplo disso foi a obra “Tratado sobre a Intolerância, de Voltaire) e criaria numa emergente classe intelectual francesa uma consciência que por fim iria dar à luz as idéias que ganhariam força e encontrariam um terreno fértil em uma sociedade profundamente descontente. O progresso do Iluminismo, portanto, bem como a Revolução Francesa, encontram raízes nos tristes eventos que se desenrolaram no conturbado reinado do Rei Sol.
As atrocidades cometidas contra os protestantes na França e a ruína econômica que veio após o êxodo de uma parcela produtiva da população, prepararam o terreno para o advento das idéias do Iluminismo (que traziam consigo as sementes do ateísmo moderno e da anti-religião) e para o progresso da Revolução Francesa.
Ou seja, por um lado, a perseguição contra os protestantes inspirou os ideais iluministas acerca da liberdade de consciência e de culto, contra o fanatismo religioso. E por outro lado, a ruína econômica e a crescente miséria resultante das campanhas anti-protestantes do Estado, com o êxodo de uma parcela econômicamente ativa e especializada da população, aliada ao estilo de vida extravagante da realeza e da nobreza que sobrecarregava a população com impostos cada vez mais pesados para manter esse mesmo estilo de vida – criaram o terreno perfeito para que as idéias iluministas (que traziam consigo o gérmen da anti-religião e do ateísmo militante) prosperarem e a causa dos revolucionários ganhasse força.
Entre as vítimas do Terror da Revolução Francesa, estavam muitos clérigos católicos. A associação da religião com o Estado, evidenciado pelas terríveis perseguições de Luis XIV contra os protestantes, não só inspiraram os ideólogos iluministas a combater a influência da Religião na política, como também a tecer idéias que mais tarde iriam gerar o Ateísmo Militante.
A idéia romanista, de que o protestantismo gerou o Iluminismo, a Revolução Francesa e o Ateísmo Moderno, portanto é falsa. O que ocorreu foi justamente o contrário: a perseguição aos protestantes franceses foi o ovo da serpente – e quem o chocou foi o próprio fanatismo católico! Se os romanistas hoje abrem a boca para falar das perseguições dos Revolucionários Franceses ou de Napoleão contra a Igreja Católica, bom, deveriam pelo menos ter um pingo de decência, colocar a mão na consciência e dizer: isso é não é nada mais que uma colheita que os próprios católicos plantaram...
Não só a Francesa: as perseguições aos protestantes na França são também a raiz de outra Revolução. O Iluminismo, fruto do anti-protestantismo violento dos católicos franceses, trouxe as sementes para o Ateísmo Militante que viria a caracterizar os movimentos revolucionários comunistas dos séculos XIX e XX.
Em meio a toda essa tragédia, é digno de ser lembrado um fato notável: conforme a infame perseguição na França prosseguia, Frederico Guilherme, Eleitor de Brandemburgo e Duque da Prussia, assinava o Edito de Potsdam, em resposta ao famigerado Edito de Fontainebleau, que era uma proclamação e um convite aos refugiados Huguenotes Franceses para se estabelecerem em Brandemburgo.
Frederico William de Brandemburgo, protetor dos Huguenotes
As primeiras ondas de refugiados chegaram na Prussia através da Holanda. No decreto de Frederico, havia uma orientação aos embaixadores prussianos em Amsterdã para acolher e providenciar navios que transportassem os refugiados. Para aqueles que fugiam por outras partes da França, Guilherme providenciou outras rotas. Em outra seção do decreto, era detalhando uma série de lugares onde os refugiados poderiam se estabelecer, garantindo-lhes livre-arbítrio na escolha do local de assentamento onde pudessem viver e onde achassem mais convenientes exercer seus ofícios e profissões. O mesmo decreto isentava os migrantes do pagamento de qualquer tributo sobre seus bens, e garantia direitos civis, liberdade de culto em sua língua materna e permissão para construir escolas próprias.
O grande eleitor de Brandemburgo - Frederico William recebendo os refugiados Huguenotes
Frederico Guilherme fez com que esse decreto fosse traduzido em alemão, francês e holandês e distribuído aos refugiados na Alemanha, Holanda, Suiça e nas áreas afetadas pela perseguição na França, por meio de mensageiros secretos e redes protestantes locais.
Edito de Potsdam, 1685
O contraste entre a generosidade do decreto do príncipe Frederico Guilherme de Brandemburgo e o ódio contido no decreto do rei Luis XIV é muito evidente. E enquanto a França entrava num processo de ruína e empobrecimento, a Prussia crescia, demograficamente, economicamente, culturalmente.
"O Grande Eleitor recebe os imigrantes franceses em Berlim" (em 1685)
Enquanto a França se esvaziava de uma população economicamente ativa e especializada, a Prussia se enchia dela. O resultado do edito de Potsdam se fez sentir em pouco tempo. A economia do país cresceu. O sábio Frederico Guilherme aproveitou bem o potencial técnico dos refugiados franceses para construir a base técnica industrial do país. Diversas obras foram realizadas, como a interligação de diversos canais aquaviários que são utilizados até hoje. Os Huguenotes foram fundamentais na criação da Academia Real de Ciências e Letras de Berlim. O primeiro periódico científico em língua francesa, o “New Journal of Scientists”, foi publicado em 1694. De modo geral, os refugiados contribuíram para o fomento e o desenvolvimento do mercado editorial e da Imprensa.
Igreja dos Refugiados Huguenotes em Berlim.
Fazendas abandonadas desde a guerra dos 30 anos foram reativadas pelos Huguenotes e tanto a Agricultura, quanto a Industria e o Comércio receberam intensa contribuição dos franceses, alavancando a economia do país. Igualmente, oficiais e militares trouxeram para Brandemburgo toda a sua bagagem técnica e experiência para o exército de Frederico.
Huguenotes militares se apresentam a Guilherme Frederico de Brandemburgo.
Há um relato bem documentado e interessante de um refugiado huguenote chamado Jean Harlan, que conseguiu escapar para a Holanda, e de lá passou para Brandemburgo de Frederico Guilherme. Lá ele conheceu e se casou com Marie Le Jeune, também uma refugiada Huguenote, que conseguiu fugir da França com seus três filhos. Eles receberam na região de Uckemark – foco do assentamento Huguenote - uma fazenda vazia (entre as 2.900 disponíveis para ocupação na área), juntamente com material de construção, sementes, uma vaca, dois cavalos e uma quantia de 50 em dinheiro na moeda local - o que era o padrão oferecido a cada família que se estabelecia no país. A família se beneficiou dos benefícios e incentivos fiscais concedidos pelo governo aos refugiados e, em algum tempo, os Harlans conseguiram constituir um negócio próspero de Tabaco. Seu filho, Jakob Harlan, fundou uma dinastia comercial que viria a gerar muitos empresários de sucesso.
Refugiados estabelecem fábricas em Brandemburgo
Por suas ações em prol da Igreja perseguida, o príncipe Frederico Guilherme de Brandemburgo foi homenageado no museu da Reforma Protestante em Genebra, com uma estátua no muro dos Reformadores.
Estátua em homenagem a Guilherme Frederico de Brandemburgo no Muro dos Reformadores, em Genebra, Suiça.
Duzentos anos depois da promulgação do Edito de Potsdam, o romancista Theodor Fontane, descendente de refugiados huguenotes que se estabeleceram em Brandemburgo, viria a escrever no bicentenário da colônia francesa (1885) na Prussia:
“Um abrigo encontrado, liberdade de crença
E refugio da opressão da consciência.
Um príncipe corajoso, livre e devoto
Recebeu-nos aqui, como ele princípe do país
Recebeu-nos como seu próprio povo
Nenhuma inveja foi despertada, nenhum ciúme
As pessoas abriram suas portas
E nos receberam como irmãos em Cristo”
Muro dos Reformadores, no Museu da Reforma, em Genebra.
Fontes:
História Ilustrada do Cristianismo, Justo L. Gonzales Vol. 6
História Ilustrada do Cristianismo, Justo L. Gonzales Vol. 8
Edito de Fontainebleau: https://sourcebooks.fordham.edu/mod/1685revocation.asp
Edito de Potsdam: http://germanhistorydocs.ghi-dc.org/print_document.cfm?document_id=3636
Refugio em Brandemburgo: https://www.museeprotestant.org/en/notice/le-refuge-huguenot-en-brandebourg/
Frederico William de Brandemburgo: https://www.britannica.com/biography/Frederick-William-elector-of-Brandenburg
Muro dos Reformadores: http://apostles-creed.org/history-confessional-christian-theology/the-reformation-monument/
A Igreja do Deserto: https://www.museeprotestant.org/en/notice/the-church-of-the-desert-in-the-heroic-period-1715-1760/
Reuniões Secretas da Igreja do Deserto: https://www.museeprotestant.org/en/notice/the-secret-meetings/
Autor: Fabiano Dias











































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